terça-feira, 24 de novembro de 2009

Palavras

quinta-feira, 29 de outubro de 2009

Palavras trilham procurando estradas
Entre orações escritas, não lidas
Seguem formando frases divididas
Juntando os versos de rimas quebradas
Vagam nos sonhos pelas madrugadas
Escrevendo em contos diversos amores
Tornam-se lendas, cantos trovadores
Contradizendo as conjunções vigentes
Às vezes doces, sútis e inocentes
Ora, sinceras nos mostram os valores

Palavras sentem quando o verbo amar
Torna-se carne da nova poesia
Ditam tristezas, conjugam àlegria
São de repentes quando vêm rimar
Embalam os sonos num acalentar
Ninando a noite do verbo criança
Carregam em si toda nossa esperança
Quando se formam de opiniões
Agitam massas, criando os bordões
E regem em coro o verbo que avança.

Cuida!

sexta-feira, 16 de outubro de 2009

Cuida, que o verso já vem
ansioso de um sorriso
na estrada do improviso
Se avexe! Ele vem de trem,
não carece mais ninguém
cuida, que a noite tá linda
a lua já vem! Bem vinda!
se achegue que a hora é essa
se avie, mas não tenha pressa
cuida, dessa espera “infinda”!

Do tempo todo que ainda
se alegra e sente saudade
cuida, que a felicidade
é feito canto de dinda
que na noite não se finda
entra embalando o sono
cuida com o zelo do dono
de cada sonho sonhado
cuida, com muito cuidado
do tempo que é nosso trono

Cuida, outro mimo em poesia
ou num presente de olhar
num riso solto no ar
gracejos de alegria
cuida, que já vem o dia
e a noite deixa lembrança
permita-me a leve dança
pelos salões do universo
cuida, que é teu esse verso!
Que vem na aurora que avança!

Conversando com a Lua!

segunda-feira, 12 de outubro de 2009

Por tantos sorrisos (rsrsrs) trocados, uns versos ao luar!


Mudei a rima de um verso
Para entender, desviar-me
Sem despertar outro alarme
Fui entendendo o processo
Saí buscando um progresso
Em cada rima sentida
Tracei a minha partida
Reenviando-me pra amar
Senti saudades do ar
No parto da despedida!

Dei voltas noutras saídas
Buscando o melhor compasso
Desviei-me do embaraço
De outra conversa comprida
E em cada etapa vencida
Dormir, sonhei acordado
Um traço, um verso rimado
Nova palavra, outra rima
Uma alegria que anima
Num compasso acalentado

Bailei em sonhos diversos
Entre sorrisos faceiros
Atravessei mil terreiros
Na decifração dos versos
Pulei rancores possessos
Pra desviar-me das dores
Vive espinhos de flores
Pra proteger um afago
Sendo aprendiz desse Mago
Que enche os olhos de amores

E no rufar de tambores
Bailei em ondas ao vento
Da vida encanto, rebento
Na criação dos valores
Pintando em tintas “colores”
Estórias de acalentar
De um pierrô a sonhar
Pelo salão da esperança
Te convidando pra dança
Numa conversa ao Luar!

Minuto Sagrado

quarta-feira, 30 de setembro de 2009

“.... A nós descei, divina luz! A nós descei divina luz! Em nossas almas acendei, o amor, o amor de Jesus...”

Ouvir a sua voz cantar durante as quermesses era para mim, uma grande alegria.
Já naquela época, curioso e menino, eu sempre observava, talvez inconscientemente, as diversas formas de manifestações de fé, seja durante os festejos da padroeira, nas novenas do mês de maio ou trezenas de Santo Antonio, era algo único, perceber em faces diferentes, as diferentes faces, de orações, súplicas e louvores.

Hoje entendo cada olhar, cada pedido, cada prece...

Falar de fé é pensar em Maria, mãe-mulher, que sente as dores de cada filho, que sonha os amores da família. Pensar em fé é lembrar àquele canto...
“ Quem foi que aqui nos reuniu? Foi o Amor! Quem foi que um dia na cruz, nos redimiu? Foi o amor! Juntemos nossas vozes e demos nossas mãos....”

Todos os dias ela demonstrava cada vez mais a sua fé, cuidando de nós, com muito carinho, ensinando, cobrando e celebrando cada vitória conquistada por cada um de nós. O maior exemplo de fé em minha vida: Minha mãe! Que tece em orações cada minuto das minhas horas, e formou em mim essa força de continuar sempre lutando e sorrindo. Poeta cantante e temente a Deus.

À todas as mães, “Marias” dos homens de boa vontade.

Onze horas e um MINUTO
Que me faz sempre criança
Carregando a esperança
Nesse meu peito matuto
É um MINUTO tributo
Enfrentador de batalha
Que costurando se espalha
Tecendo linhas de horas
Amanhecendo as auroras
Esse MINUTO não falha

Não são sessenta segundos
Apenas que o acompanham
Esses sessenta o apanham
Formando tempos fecundos
Cantadores, giramundos,
De flores, damas poesias
Fuxicam colchas macias
Pra agasalhar suas horas
Diminuindo as demoras
Fazendo meses em dias


Esse MINUTO é sereno
É minha fé e oração
Segura na minha mão
Embala o sonho pequeno
Um MINUTO Nazareno
Cronometrado de versos
Rainha dos meus progressos
Carinhos do meu penar
O meu primeiro lugar
De meus pecados confessos

O meu MINUTO Maria
Da prece feita as seis horas
Sempre dizendo: - Se oras,
Serás feliz todo dia
O meu MINUTO POESIA
Seguindo sempre ao meu lado
Um MINUTO abençoado
O meu MINUTO Feliz
Minha mãe, minha matriz
O meu MINUTO SAGRADO!

O Vendedor de Vara Bambu!

quarta-feira, 16 de setembro de 2009

Recebi de um amigo o texto abaixo, resolvi enviá-lo aos amigos, e publicar no meu sitio, pois se trata de uma orientação séria do Doutor e Sexólogo Pastor Edir Macedo, sobre as Posições sexuais e seus pecados.

Orientações Sagradas para os fiéis alienados pela quadrilha universal.

Texto Retirado do Livro:

Castigo Divino' da Igreja Universal do Reino de Deus - (Edir Macedo)
AUTOR : Bispo Edir Macedo

Pecados das seguintes posições sexuais:

Posição de quatro:
É uma das posições mais humilhantes para a mulher, pois ela fica prostrada como um animal enquanto seu parceiro ajoelhado a penetra. Animais são seres que não possuem espírito, então o homem que faz o cachorrinho com sua parceira fica com sua alma amaldiçoada e fétida.

Sexo Oral:
O prazer de levar um órgão sexual à boca é condenado pelas leis divinas. A boca foi feita para falar e ingerir alimentos e a língua para apreciar os sabores. A mulher, engolindo o sêmen, não vai ter filhos. E o homem somente sentirá dores musculares na língua ao sugar a vagina de sua parceira.

Sexo Anal:
O ânus é sujo, fétido e possui em suas paredes milhões de bactérias. É o esgoto propriamente dito. No esgoto só existem ratos, baratas e mendigos.. A pessoa que sodomiza ou é sodomizada se iguala a um rato pestilento...
Seu espírito permanece imundo e amaldiçoado.

Veja a maneira certa de se relacionar sexualmente, segundo a cartilha;

Posição recomendada:
O homem e a mulher devem lavar suas partescom 1 litro de água corrente misturado com uma colher de vinagre e outra de sal grosso.
Após isso, a mulher deve abrir as pernas e esperar o membro enrijecido do seu parceiro para iniciar a penetração. O homem, após penetrar a mulher, não deve encostar seu peito nos seios dela, pois a fêmea deve estar: Orando ao Senhor para que seu óvulo esteja sadio ao encontrar o espermatozóide...

Depois do ato sexual:
Os dois devem orar, pedindo perdão pelo prazer proibido do orgasmo.

Como penitência:
O açoite com vara de bambu é aceito em forma de purificação.


E ele nem falou, do coqueirinho, canguru perneta, baratinha, britadeira e tantas outras diversões do ato.



De fato, precisamos retomar nossos cinemas e abarrotá-los de filmes nacionais, dessa nova produção riquíssima, inclusive os filmes pornôs, para reeducar os irmãos perdidos e "embambuzados" na purificação do gigolô universal, que vive às custas das irmãs e irmãos que se alienam na seita e doam tudo, inclusive os orifícios pecaminosos, segundo ele.

Eu particularmente acredito que as diversões entre quatro paredes são sempre saudáveis, se for repleta de sorrisos em cada ato entre o casal.

Com chocolate, vinho, cerveja, óleos, etc, eu já fiz vários cardápios, mas já estou preparando um jantar novo, a base de sal grosso e vinagre... parece-me pelo menos exótico.

Fico também imaginando que orações não devem sair durante uma trepada universal,

" Ajudai o pai, aleluia, hummm.. hummmm.. que meu esperma abençoado, aleluia...OH!OH! OH! OH.... encontre VAI! VAI!... VEM! VEM! ALELUIA! um ovúlo também abenÇOAAAADO! HUMMMMM.... UUUUUU! PERDÃO O PAIIIIIIIIIIIII.... POR ESSA GOZADA ABENÇOADA E PECAMINOSA!"

O diálogo depois do ato:

_ Quem bate primeiro? Eu? então vire as costas. LAP! LAP! LAP!
_ Agora é sua vez! LAP! LAP! LAP!"

Sadomasoquismo pós-copular!

O canalha ainda fica incentivando o povo a procriar, pra garantir o futuro dos dele, quanto mais fiéis, mas festas e bacanais na alta cúpula universal.

Estou pensando seriamente em abrir uma revendedora de varas de bambu e montar escritórios em frente aos cinemas dos filmes pervertidos, hipócritas e espúrios da Universal do Reino de Edir.


Maviael Melo
Saindo pra pecar feliz da vida!

Sem Troco!

sexta-feira, 11 de setembro de 2009

Maviael Melo
Poeta e Cantador


Começo a fiar esse texto, sem a mínima pretensão de convencer ou condenar, somente querendo expressar a minha angustia com tanto caso por nada! Com tantas perguntas que ficam.
 Um troco de alguma coisa. A partir de hoje só faço compras com o dinheiro contado, para evitar certos trocos;
 Um doido com um celular, segundo Amazan: “... em toda janela tem”;
 Uma inocente mulher: Afinal quem não fica valente, rico, esquecido, liso, eufórico, dançante e sem pudor depois de umas bicadas;
 E um meio de divulgar, ainda acredito na internet como uma importante ferramenta de informação e expressão.

A princípio não nos pareceria mal, pois seria bastante natural, como de fato o é. Em todos os cantos que vamos, nos deparamos com trocos, com celulares e seus cinegrafistas amadores, mulheres inocentes e mulheres experientes, e as notícias vão se formando no ar, nas vozes, nos sorrisos, nas tragédias etílicas, em fotos clicadas e postas em site de entretenimento, etc.

Acompanhei essa semana em algumas rodadas entre amigos, o fato ocorrido com a professora baiana, que foi demitida por ter se deixado ser enfiada pelo próprio tecido por um desses “reboladores”, de uma dessas bandas aí, chamada O Troco. Na verdade fiquei sem palavras ao ver as imagens e o seu conteúdo. Sem palavras, pois na tentativa de expressar a minha opinião imediata, de que realmente é inadmissível que uma educadora infantil se preste a tal papel, coloco-me ao mesmo tempo no lugar do cidadão que tem direitos e deveres iguais aos de todo mundo. O fato de ser educadora, não tira dela o direito de se arreganhar em público, afinal é maior e livre. Mas até que ponto se é livre mesmo? Uma grande massa da nossa população está acorrentada aos trocos errados que circulam em porcarias, com o apoio financeiro e alienador de produtores de lixo. Procurei ver o lado da escola que pune tão severamente a educadora, ao tempo em que é comum nas festas comemorativas de diversas escolas, serem contratadas bandas que passam o mesmo troco. (errado)
Sob uma ótica humana, é degradante o que se vem produzindo, tocado e mostrado nos principais meios de comunicação, principalmente as FM´s, imaginar que os adolescentes convivem com isso todos os dias, é preocupante. Que educadores teremos daqui a 10 ou 15 anos? Ver a cena, é triste, não sei ao certo a sensação, mas é algo que circula entre o nojento e o humilhante, entre o degradante e vil. Sem palavras...

Enfim, Está tudo no mundo! Segundo Rafhael. Em mundos diferentes, penso eu. O mundo que penso não permite tal ultraje a mulher alguma. O mundo da professora com certeza é outro, é o mundo fabricado pelas grandes indústrias de manipulações, que aliena de tal forma a massa, ao ponto de mulheres mal passadas, submeterem-se a cenas tão lastimáveis. O mundo que penso é distante, mas acredito em novos mundos diários que surgem, a professora enfiada, acaba de se enfiar em um novo mundo, com um pouco de vítima, um pouco patética, e um tanto quanto esperançosa, concordo com Pinzoh, quando diz “Mas não duvido que ela chegue a ser apresentadora de programa infantil na televisão, pois parece ser assim que a coisa tem funcionado, no ritmo do “tudo enfiado na hipocrisia”

Não me conformo. Acredito e vou continuar acreditando, luto e irei lutando, embora a cada dia um novo luto é adicionado a música brasileira, mas também um novo verso, uma nova canção sonora pelo ar.

Fui enfiando palavras ao texto e percebendo as diversas vias que sugere o tema, filosóficas, pedagógicas, constitucionais, legais, corporais, éticas, sociais, culturais, etc.

Será crime enfim uma pessoa maior, supostamente livre divertir-se em publico? Será negligência paterna permitir que nossos filhos tenham como educadores apreciadores desse troco? Quem deu esse direito de exposição da vida alheia aos doidos dos celulares? Será repressão punir um inocente e expor de forma sensacionalista a vida de uma pessoa, que tem outras pessoas em sua vida? Ou será hipocrisia, ver tanta coisa enfiada nos bolsos dos homens de pretos, que nos vão enfiando “goela a dentro”, escândalos de corjas tão espúrias e nojentas quanto o ato da professora naquele palco de horrores.

Em resumo me vejo enfiado numa discussão ética do que se pode e o que não se pode! Acho que algo tem que ser feito, urgentemente, as pessoas irão continuar dançando e se enfiando cada vez mais nesse troco de merda que circula em migalhas gigantescas, nos guetos principalmente dos subúrbios, agora ainda mais, como toda a repercussão (proposital) do fato.

O que fazer: censurar ou educar? Eu acredito na educação de base, no ensino como vivência, a escola é ainda um lugar de se aprender, lamento pela professora, que ainda poderia vir a ser de fato uma educadora. Não me proponho a achar um culpado em toda essa lambança cultural, apenas questiono: A mídia? Que, sobrevive muito bem com os altos trocos gerados dessa merda. A escola que quer ser exemplo, ou ganhar mídia como se exemplo fosse? As diversas câmeras celulares que invadem a vida alheia e lançam na internet? Hoje em dia não se vende celular porque ele faz e recebe ligações, vende-se um “Bombril Comunication” com mil e uma utilidades e todo mundo pode ter um, mérito da situação atual do nosso País. A professora, que sonhava, penso eu, no seu mundo criança, em ser educadora e ajudar a formar jovens e ver sua filha formada, sabe-se lá o que não se mudou no seu mundo entre a infância e a maior idade? Quais acessos culturais ela teve ou preferiu?

Está tudo no mundo sim, mas cada um escolhe o seu!

Eu já escolhi o meu e só pago a conta certa! Sem troco!

TUDO ENFIADO NA HIPOCRISIA

Josemar da Silva Martins (Pinzoh)
Professor da UNEB no DCH III (Juazeiro/BA)

Consta que uma professora por nome Jaqueline Carvalho, que lecionava no Colégio Objetivo em Salvador, para crianças de 5 a 7 anos, foi demitida da escola porque, num show de uma banda chamada “O Troco”, ela subiu no palco e dançou uma música chamada “Todo Enfiado”. Ali por perto estavam vários malas, praticantes indiscretos do voyeurismo, equipados com celulares com capacidade de filmagem. Gravações em vídeo em baixa resolução (aliás, a baixa resolução é perfeitamente com o contexto em questão) foram parar no Youtube, pois o atual voyeurismo tecnológico sempre resulta nisso. Os vídeos “bombaram” e a professora teve que se explicar na escola e acabou sendo demitida e tendo que se mudar do apartamento onde morava com a filha.

O contexto é o seguinte: a banda é apenas uma entre milhares que, na falta de capacidade lingüística e espaço social para explorar outros universos de sentido, atua na linha abaixo da cintura. As letras das músicas, a exemplo da música em questão, são as pérolas da Novíssima Música Popular Brasileira – considerando que esse tipo de estética musical não se resume à Bahia – e exploram expressões de escatologia e escracho que são muito bem aproveitadas pela indústria do entretenimento no Brasil inteiro. Com este tipo de material, muitos canais de TV, muitas rádios AM e FM, principalmente, fazem a sua audiência, e amparando esse negócio, que tem a audiência como critério principal, muitos empresários corroboram com esta realidade ao escolherem justamente tais formatos estéticos para veicularem suas propagandas e sua publicidade institucional. Que merda!
Antes de qualquer coisa, uma constatação: quase todo mundo está interessado nesse negócio, ganha dinheiro com isso, inclusive ampara tais escolhas estéticas e econômicas com justificativas do tipo “liberdade individual”, “liberdade de expressão”, “gosto popular”, etc. Claro que não sabemos mais o que significam tais coisas, mas isso não deixa de operar justificativas para todo tipo de atividade espúria, no entanto, em geral não questionável, pois nem sabemos mais por onde começar um questionamento disso.
Tenho acompanhado a repercussão, a professora tem participado de alguns programas de qualidade similar ao episódio, já alcançou seus 15 minutos de fama, dizem que está recebendo propostas para entrar em uma banda, como dançarina, e outros especulam se a Playboy estaria interessada nela, para pousar pelada. Eu por mim acho que ela não tem calibre para tanto. Mas não duvido que ela chegue a ser apresentadora de programa infantil na televisão, pois parece ser assim que a coisa tem funcionado, no ritmo do “tudo enfiado na hipocrisia”. Mas nossos argumentos é que são péssimos! No final das contas, apenas a professora é que é julgada. Uns a perdoam, outros a execram. Isso tudo não sai do senso comum mais rasteiro. Em geral os argumentos esbarram em três formas básicas:
a) A primeira forma é do argumento de puro relativismo niilista, que não é “nem contra nem a favor, muito pelo contrário, quanto mais principalmente, tanto neste caso quanto noutros, se bem que cada caso é um caso” – forma esta que não é senão uma forma charlatã, proselitista e dissimulada de não dizer nada, exatamente porque não sabe e não tem o que dizer;
b) A segunda forma é a do argumento acadêmico, hoje muito próximo da primeira forma, pois também os intelectuais se demitiram da função de oferecer alguma possibilidade de interpretação do mundo que se destaque pelo menos um pouquinho da média atingida pelo senso comum – a maior parte dos intelectuais hoje se contenta com um “quem sou eu para julgar seu ninguém” ou com um “isso é representativo das formas autônomas do povo viver e se divertir”, como se já não houvesse uma vampirização dessas “formas autônomas” do povo viver e gozar;
c) A terceira e última forma é a do argumento moral, transversal a todas as outras formas, que acha que algumas categorias de pessoas não podem viver como as demais, nesse caso, uma professora, apenas ela, não pode sair por aí mostrando a bunda, quando todo mundo mostra e convoca a mostrar; como se os “aluninhos” da professora já não estivessem infestados por esses conteúdos, que estão na rua, nos porta-malas dos carros, nos bares, na praça, nas festas de largo, na TV, nas rádios e em todos os lugares, muitas vezes sustentados com dinheiro público destinado à cultura. Por que é a professora que tem que pagar o pato sozinha? Por que apenas é dos professores que se cobra a responsabilidade de dar bons exemplos e formar valores?
No geral o que há é uma confusão entre o universo das escolhas individuais, relativa à esfera privada, e a esfera pública. A professora até pode ser perdoada porque estava alcoolizada. Ou seja, ela tem direito de ficar doidona e fazer a extravagância que quiser. Claro que se, ao invés de álcool ela tivesse fumado unzinho, tava mais ferrada ainda! Mas no geral o bafafá não passa desse limite! A própria nocividade da exposição do ato da professora, feita pelos malas-paparazzi e seus celulares e pela própria banda (é a mão do vocalista que arregaça a intimidade da moça), esse big-brother, essa especulação da intimidade movida a enorme falta de ética, não entram na questão.
Vendo os depoimentos da professora concluo que, como professora, ela é fraca! Quer se vingar dos vizinhos “voltando por cima”, depois que virar dançarina de pagode-putaria. Ela sequer percebe que a parte mais frágil nessa história toda é ela própria; que tem muita gente ganhando dinheiro com o episódio que ela protagonizou – os próprios programas de TV e de rádio que fizeram audiência com o ela, e a própria banda que, em decorrência isso, pôde sair do ostracismo. Só ela perdeu até agora, e é apenas dela que se cobra decência. Tudo o mais pode ser indecente! Se ela não é capaz nem perceber isso, se não é capaz de julgar os efeitos de seu ato e ver o nível de hipocrisia que ela fez aparecer, ela é uma coitada, não merece piedade nem ser professora.
Eu prefiro ficar com a oportunidade de afirmar que tal episódio só fez aparecer o nosso atual nível de hipocrisia. Todos os dias, em algum lugar, coisas parecidas acontecem até em praça pública, com a presença majoritária de crianças e com recursos públicos. Vimos isso quando filmamos “O Estado da Arte da Fuleragem”. A cidade de Salvador então está repleta dessas jóias. Coisas como “Cadeira Erótica”, “Surubão” e outras piores animam festivais de exibição e simulação erótica em vários lugares todos os dias. Por isso não condeno a professora isoladamente, embora ache que qualquer pessoa com um pouco de noção da própria hipocrisia social, não faria o que ela fez. Mas a coitada é mais vítima do que vilã. Nem se deu conta de que, como professora, ela herda uma carga de responsabilidades que eu mesmo já nem quero para mim; mas é como pessoa mesmo que ela deveria ser mais cuidadosa. Por outro lado, o mais importante é isto: se é preciso educar bem as crianças, que estejam também interessados nisso a mídia como um todo, os empresários (que vendem entretenimento como se fosse droga), e todos os que apóiam e lucram com isso. Não pensem que é a cena da professora que vai “danificar” as criancinhas. Esse mesmo conteúdo que pode “danificá-las”, está aí em todos os espaços sociais, convocando todos a se jogarem. E quem liga? É isso que deveria entrar na discussão!

Cantilena da Noite!

quarta-feira, 2 de setembro de 2009

A noite chegou, calando outro dia
Na volta pra casa rompendo a estrada
Buscando a conquista doutra madrugada
Chegou com vontade, com força e magia
Trazendo o silencio que a tudo inicia
Em brisas diversas, me trouxe a saudade
Daquele sorriso quando era verdade
Que os homens viviam em busca da paz
Num lindo acalanto mostrou ser capaz
Formando outro sonho de felicidade

A noite cobriu outra primeira noite
Da linda cabocla do sonho poeta
A lua em ciúme ficou mais discreta
Pra que a madrugada com ela se acoite
E trouxe entre as brisas aquele açoite
Que não nos castiga. Mas mostra o caminho!
A noite rompeu o silencio do ninho
Com um novo canto regido entre amigos
Chegou construindo diversos abrigos
Aquecendo o sonho, doutro desalinho

A noite sonhou com o passo futuro
Ninando o presente daquele passado
Que tinha o futuro em tempo marcado
E trouxe um presente no claro do escuro
Apagando a sombra da réstia do muro
Adormece o dia em doce acalanto
Trazendo alegria na noite de pranto
Em cantos de alma deságua serena
A lua se veste noutra cantilena
Do sonho poeta, formando outro canto

A homilia do Louco!

terça-feira, 25 de agosto de 2009

(para Anacreonte)

Do conjunto geral do "Exotirismo"
Paradoxiano a glote estrutural
Raros glóbulos desse vão Empirismo
Na efeméride filtrante e factual

Entre a Homérica visão monumental
Peadoura do "Exegetirismo"
Sudoripa-se o plurifluvial
Deambulando esse Cateterismo

E assim a helépole que fabela
Num contubernáculo Angiospermático
Estupefa a contumélia que rebela

O paquiderme chanfrado e emblemático
E a impura ortodoxa se revela
Nessa péptica de seio problemático

Missa do Vaqueiro

Missa do Vaqueiro
Curaçá-BA (A morte do vaqueiro)

Maciel Melo e Maviael Melo