Era um tempo feliz na ilusão
Um passado remoto de alegria
Encantado e iludido se vivia
Pelos sonhos vividos na paixão
A verdade se expõe na diversão
Quando o circo da cena terminar
A platéia que rir passa a chorar
E a mentira aos olhos se aponta
Já não tem nada a ver, nem é da conta
A verdade chegou pra revelar
A palavra usada pra vender
Cada verso, buscando o vil metal
Na assembléia, a oração geral
Era a frase de quem tem mais poder
Quando o mote cumpriu o seu dever
Fez-se tema pra o povo rebelar
A ganância perdeu o seu lugar
Hoje a peça no palco não se monta
E o sistema fraudado se desmonta
Pelo próprio veneno a inocular
Foi-se o tempo enfim da hipocrisia
Quem não planta, não mais terá colheita
A verdade, essa sim, tem a receita
Se empregada correta muda o dia
E o sonho usurpado da poesia
Faz a volta pra se realizar
Ao poeta, sua pena rabiscar
Para o dia que agora se desponta
Nesse mundo feliz de faz de conta
Que se finda sempre num acordar
Acordando o encanto terminou
No momento exato doutra história
Outro verso perdido e sem memória
Da saudade que um dia alguém deixou
E a poesia que o tempo não sonhou
Vaga andante versando outro pensar
E sonhando não custa imaginar
Em dizer pra essa raça que apronta
Cancelei o cartão, fechei a conta
Dispensei quem vivia a me explorar.

0 comentários:
Postar um comentário