domingo, 9 de outubro de 2011

Meu Computador

Mergulhei no porão do teu juízo
Pra tentar desvendar teu sentimento
No teu liquido seco e sem lamento
Não senti o pulsar do improviso
Entre os dedos que apertam teu aviso
E que acionam teu mundo sem fronteiras
Naveguei pelas redes brasileiras
Teu limite “inexiste” eu nunca o vi
Viajei do Oiapoque ao Chuí
Vi teu nome erguido nas bandeiras

No teu reino não se proíbe nada
Sua coroa não tem nenhum valor
E você, insistente sedutor
Vem e diz o caminho à madrugada
Incessante e a deriva tua estrada
É infinda e segue um comunicar
Prostituto no jeito de se dar
Num minuto transa com o mundo inteiro
Cada tecla apertada é um dinheiro
No valor de impossível computar

E então eu abri tuas janelas
Vi paisagens, ladeiras, vi muralhas
Vi um verde onde a noite não orvalha
Com umas cores que fingem aquarelas
Suas tintas não pintam nossas telas
E o teu vento não tem redemoinhos
Tuas aves não podem fazer ninhos
E tua flor não exala e nem tem cheiro
Tua comida não tem nenhum tempero
E teus afagos são feitos sem carinhos

Mesmo assim todo mundo quer provar
O teu gosto sem sal de sedução
Tem até quem revele ter paixão
E só durma depois de te encontrar
Mas eu tenho na veia o paladar
De quem foi batizado na moleira
Com cuscuz e pirão de macaxeira
Eu não como essa pilha desse engano
Sou cismado com o falso novo plano
O anti-vírus é minha cabeceira

Você lucra nas mentes ilusórias
Sem ninguém lhe dever nenhum tostão
Você dorme e não tem preocupação
Sem ter contas, não sofre moratórias
Mas meu verso rimado nas vitórias
É um real sentimento de um futuro
Onde o amor inconteste não tem furo
Não me venhas mudar meu linguajar
Eu duvido é você se libertar
E liberto poder saltar um muro

Tu imitas as línguas das nações
Mas não podes sentir o ser poeta
Tua rima de bytes é incompleta
Não demonstra do ser as emoções
Não tem ar, tem fuzil em teus pulmões
E os meus dedos te acordam qualquer hora
Eu que digo o que fica e vai embora
Com um clique eu posso te apagar
Basta só no botão iniciar
Desligar tua tela sem demora.

Maviael Melo/Paulo Ferreira

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